o movimento ajuda a tratar a dor crônica

Acalmando os nervos: como o movimento ajuda a tratar a dor crônica

Quando a dor dura mais do que deveria e como o movimento ajuda a tratar a dor.

Olá, tudo bem?

Meu nome é Ariani, sou fisioterapeuta osteopata e, há mais de 20 anos, atendo pessoas que convivem com dor crônica — aquelas dores que duram anos, que vão e voltam, que cansam o corpo e também a mente.

Se você está lendo este texto, talvez se identifique com isso.

Hoje eu quero conversar diretamente com você, para que possamos entender juntos como é possível diminuir a dor acalmando os nervos.

E talvez você se surpreenda com o que vou dizer: muitas vezes, tratar a dor crônica envolve enfrentar a dor.

Mas não do jeito que normalmente se imagina.

Não é forçando. Nem é ignorando. Não é “aguentando no sofrimento”.

É enfrentando a dor do jeito que a maioria das pessoas com dor crônica mais tem medo: se movimentando, mesmo sentindo um pouco de desconforto durante o exercício.

Quando a dor dura mais do que deveria

Quando a dor permanece por mais tempo do que o esperado para a cicatrização dos tecidos, algo importante acontece no corpo: o sistema de alarme — o sistema nervoso — se torna mais sensível.

Isso não significa que seu corpo esteja fraco ou quebrado. Pelo contrário. É uma tentativa de proteção.

O problema é que esse alarme começa a disparar com facilidade, mesmo quando não há perigo real.

Por isso, para sentir menos dor e conseguir retomar a vida, o tratamento precisa ajudar a diminuir essa sensibilidade excessiva do sistema nervoso — e não apenas focar no local que dói.

Movimento ajuda a acalmar os nervos

Uma das formas mais eficazes de acalmar um sistema nervoso sensível é o movimento.

Pense na época da escola, quando você estava muito estressado estudando para uma prova importante. O que ajudava mais?

Ficar parado, preocupado… ou sair para caminhar, correr ou andar de bicicleta?

Depois do exercício, o corpo não ficava mais calmo?

Isso acontece porque sangue e oxigênio acalmam os nervos. Exercícios aeróbicos leves e suaves aumentam a circulação e ajudam o sistema nervoso a sair do modo de alerta constante.

“Mas exercício não causa dor?”

Muitas pessoas com dor crônica evitam o movimento porque acreditam que:

Exercício causa dor, e dor significa lesão.

Aqui está um ponto essencial:

Dor não é sinônimo de dano.

Você pode sentir dor sem que nada esteja sendo machucado.

Quando o sistema de alarme está sensível, ele reage ao movimento como se fosse perigo. Mas, na maioria das vezes, ele está apenas avisando que o corpo está se mexendo — não que esteja se lesionando.

A dor que é compreendida e esperada, até certo ponto, não representa ameaça. Com o tempo, ela tende a diminuir.

Pense na dor muscular após um bom treino: dói, incomoda, mas passa.

O erro mais comum: exagerar

Um dos principais motivos pelos quais pessoas com dor sentem mais dor ao se exercitar é o exagero.

Movimento é fundamental, mas precisa ser feito com respeito.

Forçar demais, ultrapassar limites e ignorar sinais do corpo costuma levar a mais dor por horas ou dias. Depois, a pessoa tenta de novo… e o ciclo se repete.

Uma caminhada leve e agradável de 20 minutos, sem piora depois, ajuda muito mais do que uma caminhada de 1 hora que deixa você mal por dias.

Nem parar tudo, nem forçar demais

Quando a dor aparece, muitas pessoas fazem algo compreensível, mas que atrapalha:

  • evitam quase todas as atividades
  • ficam muito atentas à dor
  • passam o dia pensando nela

Isso acaba deixando o sistema nervoso ainda mais sensível.

O caminho é outro.

  • Mover com cuidado.
  • Ir até um leve desconforto, não até a dor intensa.
  • Não ter medo da dor, mas respeitá-la.

Não parar tudo de repente. Mas também não ultrapassar limites de uma vez.

Pequenos passos funcionam

Com o entendimento de como a dor funciona, ela deixa de ser assustadora.

Você passa a perceber que:

  • o sistema de alarme está sensível
  • o corpo pode estar dolorido, mas está seguro
  • dor não é prejuízo

Assim, é possível aumentar a atividade aos poucos.

Uma caminhada de 3 minutos vira 4.

Depois 5.

Aumentando para 10.

Com o tempo, o corpo aprende que o movimento é seguro — e o alarme começa a se acalmar.

O objetivo não é provar força.

É ensinar segurança ao sistema nervoso.

Referências:  

Estudos e artigos científicos disponíveis online

Pain neuroscience education: Which pain neuroscience education metaphor worked best?
 Pesquisa que discute como diferentes metáforas da educação em neurociência da dor funcionam com pacientes — com participação de Adriaan Louw e colegas.
https://sajp.co.za/index.php/sajp/article/view/1329/1786

Artigos indexados na PubMed sobre Pain Neuroscience Education
 Lista de estudos de autores importantes como Lorimer Moseley, David Butler e Adriaan Louw (ex.: reconceitualização da dor, educação em neurociência da dor).
 https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/28009822/

Educação em neurociência da dor para pacientes com dor musculoesquelética
 Letra aberta descrevendo evidências de PNE para pacientes com dor musculoesquelética, com citações de estudos de Louw, Butler, Moseley e outros.
https://www.scielo.br/j/brjp/a/56jZzkgQvDjXmJmCQRh6VLc/

Scoping review: Pain neuroscience education para pessoas com dor crônica
 Revisão que mapeia a evidência disponível sobre PNE, estratégias de ensino e contexto cultural — útil para fundamentar práticas baseadas em evidências.
 https://www.sciencedirect.com/science/article/abs/pii/S0738399124000685

Autor do Artigo:

Foto de Ariani Baggio

Ariani Baggio

Fisioterapeuta osteopata com mais de 20 anos de experiência em terapias manuais.

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Ariane Baggio

Fisioterapeuta osteopata com mais de 20 anos de experiência em terapias manuais.

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