Como o estresse da vida se transforma em sintomas físicos — e como a osteopatia pode ajudar
Ela chegou ao consultório de osteopatia com uma expressão preocupada e triste, buscando tratamento para uma dor de cabeça que já durava dias, sem alívio com medicamentos.
O interessante dessa história é que ela já chegou com um diagnóstico muito claro. Consciente da própria condição, relatou que a dor de cabeça começou após passar a mão na cabeça e perceber algo estranho: um “buraco”, um local onde um tufo de cabelo havia simplesmente caído, sem que ela tivesse notado antes.
Ela mesma fez a associação. Reconhecia que o trabalho exaustivo e extremamente estressante havia afetado sua saúde. Alguns meses antes, pediu demissão desse emprego, mas agora enfrentava um novo desafio: estava empreendendo. A insegurança financeira e a pressão por fazer o novo negócio dar certo mantinham seu corpo em constante estado de alerta.
Na minha percepção clínica, essa paciente vivia um estado de luta e fuga contínua. Como um guerreiro que nunca descansa. Antes, lutava para se manter em um ambiente de trabalho competitivo; agora, lutava para sobreviver financeiramente em um país que enfrenta dificuldades econômicas há anos.
Hoje, a luta não é mais contra predadores, como na pré-história. A luta é psicológica, emocional e financeira. E o corpo responde a esse estado de ameaça constante com sintomas: dores de cabeça persistentes, tensão muscular, alterações no sono e até queda de cabelo.
Do contexto de vida ao cuidado terapêutico
É a partir desse ponto que entra o olhar do profissional de saúde.
Ao atender uma paciente como essa, não é possível separar o corpo da vida que ela vive. Como fisioterapeuta osteopata, compreender o contexto emocional, profissional e social faz parte do tratamento. Conversar sobre como a vida também pode gerar dor é essencial para que o cérebro racionalize dobre o problema, entenda e comece a se sentir seguro.
O mais importante neste caso é que essa paciente já possuía algo fundamental: consciência da relação entre suas dores e o momento de vida que estava atravessando. Essa consciência não é comum. Muitos pacientes chegam sem conseguir fazer essa ligação, o que aumenta o medo, a ansiedade e a sensação de descontrole da dor.
Quando o paciente entende a origem da dor, consegue racionalizar o que está acontecendo. E racionalizar diminui o desespero. A dor deixa de ser uma ameaça inexplicável.
Entender é parte do tratamento.
Quando o paciente toma consciência das causas da dor, o cuidado osteopático se torna mais eficaz.
Como a osteopatia pode ajudar em casos de dor de cabeça e enxaqueca

A osteopatia atua por meio da palpação e do toque terapêutico, liberando pontos de tensão e enviando informações de segurança ao sistema nervoso.
No caso das dores de cabeça e enxaquecas, trabalhamos principalmente:

- o nervo trigêmeo, responsável pela sensibilidade do rosto, mandíbula e cabeça;

- a mandíbula, frequentemente tensionada em pessoas sob estresse;
- as membranas que envolvem o cérebro, por meio de técnicas cranianas suaves.
As técnicas manuais ajudam a tranquilizar o núcleo do nervo trigêmeo, reduzindo a excitação do sistema nervoso e aliviando a dor. O toque terapêutico envia sinais claros ao cérebro de que não há perigo iminente.
Com isso, o corpo começa a sair do estado de alerta constante.

Mais do que tratar sintomas, é preciso acalmar o sistema nervoso
Ao final da sessão, algo sempre chama atenção: a mudança na expressão do paciente.
Ela entrou tensa, triste e preocupada. Saiu mais leve, sorrindo, confiante.
A osteopatia não resolve os problemas da vida. Mas ajuda o corpo a lidar melhor com eles, acalmando o sistema nervoso para que a pessoa tenha mais recursos físicos e emocionais.
Ter consciência do que está acontecendo consigo mesmo é o primeiro passo para buscar ajuda.
Que bom que ela buscou ajuda.
Que bom que ela tem consciência.
Que bom que saiu muito tranquila e confiante de sua primeira sessão de osteopatia
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